Um novo escurecer: Sangue e balas de goma (Parte II)

Esse post é a continuação do meu último projeto: Sangue e balas de goma (clique no link para ler a primeira parte).

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O mundo foi voltando aos poucos, primeiros os vultos coloridos, depois a imagem turva; sempre é nessa ordem, Derick sabia muito bem não era a primeira vez que o faziam apagar, só a fraqueza do momento em questão que o assustava, nunca acordara de um desmaio e se sentira tão fraco assim. Agora os olhos já haviam voltado ao normal, só o ouvido que ainda zumbia como se mil abelhas tivessem se instalado no canal auditivo e também uma pequena dor na base do pescoço o incomodava. Olhou bem para todos os lados e a cena era a seguinte: a cozinha de Derick com sua mesa e suas quatro cadeiras, na cadeira da frente estava sentada a dama de cabelos verdes tomando algo vermelho vivo com um canudinho; o chão ao lado dela estava lavado de sangue; um cheiro de podre se encontrava por toda a parte e ele, estava amarrado em uma cadeira. Fazendo as contas, subtraindo as dores e tirando o triste fato de suas mãos estarem em uma posição desconfortável, tudo ainda estava como antes.

- O que você fez comigo sua vadia? – apenas colocou uma frase interna para fora, mas o silencio ficou no ar durante os segundo em que ela bebia seu “líquido” vermelho com o canudinho transparente.
- Sabe, você humanos são bem engraçados, como você pode me xingar estando ai amarrado? É esse tipo de atitude que eu não entendo. – ela sorria com os dentes sujos com aquela coisa vermelha que estava bebendo.
- Vou perguntar mais uma vez e de vagar: o que... você... fez... comigo... sua vadia? – Derick não podia descer do cavalo, mesmo na situação que se encontrava.
- Simples, estou me alimentando e você desde ontem! – ela abriu um dos sorrisos mais vermelhos que já foram dados dentro daquela cozinha enquanto levantava o copo com o líquido vermelho.
- Você o que? Mas que porra é essa no seu copo? Eu to de saco cheio de você já! Me desamarra dessa porra agora ou se não eu quebro a sua cara! Ahh Que porra de dor é essa no meu pescoço? – gritar ajudou a libertar um pouco da tensão que estava passando pelo corpo dele. A última pergunta não precisou ser respondia, bastou que ele mesmo olhasse para baixo e visse que sua camisa estava tomada de sangue que obviamente escorria de seu pescoço. – Quem é você? O que você fez comigo? – ele agora chorava.
- Engraçado, vocês sempre choram. A cinto e setenta e dois anos eu faço a mesma coisa e sempre vejo vocês chorando quando descobrem que tem alguma coisa de muito errado. Olha, vamos combinar algumas coisas, está bom? Eu sabia que você ia concordar. Bem... eu quero muito que você entenda o que está acontecendo, e estou sendo sincera, mas não gosto quando você me chama de vadia, não é legal, entende? Então vamos combinar que daqui para frente você vai deixar de me chamar assim. Também sabia que você ia concordar com isso. Agora faça suas perguntas e eu irei responde-las, se puder é claro. – ela foi calma, muito calma.

O que perguntar? Essa era uma grande questão no momento, mas mesmo assim, só uma pergunta se repetia na cabeça de Derick: “O que você fez comigo?”, então achou melhor perguntar isso mesmo, porque também na havia com ter certeza se a resposta seria sincera.

- Ta bom! Agente vai conversar né? – o choro havia parado, mas a voz de Derick ainda estava meio alterada. Me diz o que você fez comigo, por favor!
- Essa eu já respondi, mas vou responder de novo só porque você está sendo educado. Eu estou realmente me alimentando de você. Talvez você ainda não tenha percebido, mas isso no meu copo é seu sangue assim como aquilo no chão e na sua cama lá no quarto, que foi aonde eu abri os buracos no seu pescoço e depois te costurei. Não sei se você já percebeu mais eu sou uma vampira.
- Como assim você é uma vampira? – Derick teve que adicionar um tom de sarcasmo em sua voz, não podia acreditar. Quer dizer, uma vampira, daquelas que chupa sangue? Que tem dentes pontudos? Problemas com alho e luz do sol? Por favor, não me faça rir, doe muito quando eu começo a rir. – Mas no fundo seu medo estava crescendo, ele agora tinha certeza de que ela era maluca.
- Não estou aqui para te fazer rir! – ela voltou a olhá-lo com aquele expressão de quem pode matar só com uma caneta, seu sangue gelou. Não estou de brincadeiras Derick, eu sou mesmo uma vampira. Essas coisas que você falou sobre os vampiros, bem... nem todas são verdades.
- O que, por exemplo? Vai dizer que vocês não virão morcegos. – havia mais ironia em sua voz do que ele havia calculado, mas só mais uma vez ela o fitou com seu temido olhar que diz “não estou de brincadeira” e o sangue parou mais uma vez.
- Você não é capaz de imaginar o que podemos fazer, mas também há coisas que não podemos, como andar de dia. Boa parte do que você leu sobre nós é puro mito, não morremos apenas com estacas no coração, muito pelo contrario, somos tão frágeis quanto vocês humanos. Basta que você nos faça sangras e começamos a ficar fracos, porém para vocês o maior problema é nos atingir, já que somo mais rápidos que o melhor de vocês e sim, podemos nos transformar, mas não em morcegos. Um vampiro pode muito bem colocar seu lado animal para fora, o que não é a coisa mais bonita de se ver, mesmo para mim que faço parte disso tudo, essa seja talvez a coisa mais grotesca que podemos fazer, eu mesmo só liberei meu lado animal uma única vez e nem queria, fui forçada a fazê-lo. E é fato que alguns de nós nutre certos hábitos alimentares diferentes, uns não tomam sangue humano, outros só bebem sangue humano e a quem prefira comer alimentos humanos, eu mesmo sou uma apaixonada por balas de goma, sou capaz de comer sacos e mais sacos e balas de goma. – a conversa estava deixando de ser surreal para ser ridícula.
- Quer dizer então que, além de se alimentar do meu sangue você se alimenta de balas de goma? Nossa! Você realmente me surpreende. Agora deixa eu adivinhar: você está me contanto tudo isso porque vai me transformar em um de vocês, porque de alguma forma louca se apaixonou por mim e por isso não poderia simplesmente me deixar morrer, então vai oferecer seu sangue para me transformar. – dessa vez o deboche da voz de Derick era mais que visível, era insuportável.
- Acho que não é tão simples assim jovem Derick. – ela se levantou e começou a dar a volta na mesa, fica bem atrás dele. Eu já tenho cento e cinqüenta anos e ainda não entendi direito como nos transformamos no que somos, então fica um pouco difícil de lhe ajudar nesse raciocínio. O que eu sei é que para se transformar em um morto-vivo sugador de sangue, você tem que ter feito algo de muito ruim quando era humano, para que sua alma esteja perdida e nem mesmo o inferno a queira, mas uma pessoa covarde como você não pode ter feito nada tão dramático assim. – ela repulsou as mãos sobre a ferida no pescoço dele, ficou um minuta parada admirando sua presa e por final deixou que seus caninos se projetassem mais na boca e atacou o pescoço como se fosse o ultimo pedaço de carne existente na terra, abrindo novamente o ferimento e fazendo mais o sangue voltar a escorrer como uma cascata. – Agora escute Derick, você vai morrer lentamente sangrando porque ninguém se preocupa virá aqui ver como você está, e foi por isso que eu te escolhi como presa.

Derick estava em um estado de torpor, mas ainda estava consciente do mundo ao seu redor. Viu a sua vampira andando de um lado ao outro da casa pegando o que podia de valor, não que houvesse muitas coisa à pegar. Não durou muito, logo ela estava no batente da porta dando um tchau com um sorriso incrustado no rosto que só agora ele foi perceber que era muito pálido. Quando ela bateu a porta, Derick sentiu que era verdade, iria morrer e nada podia impedir isso, mas na sua cabeça as últimas informações que a vampira havia dado ficavam ecoando como se estivessem em uma sala grande e vazia. Ele se perguntava se sua vida havia sido tão ruim assim, se havia feito algo que condenasse sua alma a um estado como o dela para o resto da existência do mundo, então simplesmente desmaiou. Mas não demorou muito para que acordasse com uma tremenda sede e uma vontade enorme de comer balas de goma.

4 Sua opinião:

Mari Vianna disse...

mentxeeeeeeeeeera !
Nossa, entao ele virou vampiro?
to pasma denovo! hahahahah
abri o olho soh agora, eu sou miope e tava tao empolgada que meus olhos estavam super feichados! hahaha

adorei!
me avisa quando tive mais
eu vou colocar seu link no meu blog
pq vale a pena!

beeeijos

Line! disse...

Geeeeeeente, olha sóóó!
A tal da Cibele ainda zoou ele!
"Vocês, humanos, sempre choram!"
HUHAUAHUAHA ADOREI! Você arrasou.
Também escrevo, e também tenho um conto sobre vampiros. Não é um conto, é mais um romance.
Eu escrevo bastante e você, também pelo visto! Adorei, adorei, adorei aqui! Vou passar a frequentar. Estás nos meus links a partir de hoje!
Beijos!

Cabal disse...

e aí psicão, gostei do conto, talvez mudasse algo aqui ou alí, mas nada demais, a idéia foi muito boa, sucesso agitador de Hq´s do meia.

Lídia disse...

É difícil me satisfazer com as histórias de vampiros que leio por aí, mas realmente gostei da sua!
=)